
Fui ver Into the Wild, o novo filme de Sean Penn, fabuloso ator e diretor que eu admiro muito. Nunca um filme me causou uma sensação tão contraditória: até o final, vinha detestando, até que, nos 5 últimos minutos, me caiu a ficha e eu me apaixonei pelo filme. Talvez porque o protagonista carrega consigo um ódio em relação aos pais e à sociedade que me pareceu artificial demais, afinal, como pode um garoto de 23 anos, que sempre teve tudo na vida, que se formou, e que era amado por seus pais, por mais que tivessem problemas na família, criar um sentimento de raiva tão forte? Ele não foi abusado na infância, nunca passou fome, tinha uma irmã que o adorava, como pode se desligar tão facilmente de tudo, como se não sentisse nenhum tipo de vínculo com sua família? Isso foi o que mais me pegou no filme, a única coisa que eu não consegui entender, talvez porque mal explicado, talvez porque não consegui me identificar com o personagem. E o engraçado é que ele só encontra pessoas maravilhosas pelo caminho, que sofrem quando ele parte, que querem adotá-lo, é incrível, tenho certeza que se eu saísse pelo mundo com uma mochila nas costas não seria bem assim... A parte a sua raiva que pra mim realmente ficou mal explicada, o desapego que ele carrega é realmente impressionante, o que me chegou a parecer muito frio, e, portanto, não muito realístico. Ele deixa a família e os amigos sem derramar uma lágrima, mas é só ver um bando de cervos correndo pra começar a chorar copiosamente. Não faz muito juz à frase de Lord Byron, que publiquei no título deste post e que abre o filme... Mas a sua ficha também cai no final, que eu não vou contar aqui pra não estragar a surpresa pra quem não viu ainda. Outra coisa que não curti: nenhum telefonema pra sua família, dizendo que estava vivo e bem? Nada? Porque essa necessidade de fazer sofrer aos outros que só queriam o seu bem, porque queimar dinheiro e depois ir trabalhar no Burguer King?? Na minha opinião, nada mais do que imaturidade de um jovem que leva "os males" da sociedade muito a sério, tornando-se incapaz de ver o lado bom das coisas. Eu odeio rebeldia sem causa, e um comportamento extremista como esse sem algo que o justifique simplesmente não me desce. Ainda bem que ele se redime no fim... Muito interessante, definitivamente um ótimo filme. E a trilha de Eddie Vedder ajuda bastante também...
2 comentários:
Como todos as coisas das quais eu gosto muito, muito mesmo, prefiro não falar muito a respeito. Mas esse filme me marcou tremendamente. Coisas que você apontou, para mim fazem todo sentido. E sabendo que a história é verídica torna a experiência ainda mais profunda.
Foi o último filme que vi no cinema (um mês atrás acho) e continuo pensando nele diariamente. Um daqueles filmes que nos afetam de fato. Bom, pelo menos a mim, afetou.
Bacana o que você escreveu sobre o filme. Linkei no meu blog. abraços, Ela
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