sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sacco e Vanzetti

Hoje assisti a projeção de Sacco e Vanzetti, filme italiano da década de 70, dirigido pelo grande Giuliano Montaldo, professor de direção no centro sperimentale. Já havia visto o filme no ano passado, quando pedi ao Andrea de me atualizar um pouco na história do cinema italiano, e este foi o primeiro filme que ele me recomendou (e eu esperando um Fellini ou Visconti...). Devo confessar que achei bem desinteressante e acabei dormindo no fim... Pois bem, eis que decubro que o filme de hoje era esse, e, mesmo com uma vontade irresistível de escapar e ir tomar um cappuccino no bar, resisti e decidi dar mais uma chance ao filme, principalmente porque depois teria debate com o diretor. Resultado: amei! Achei o tema interessantíssimo e o final, que eu não havia visto da primeira vez, é maravilhoso. A história é real, e conta a saga dos amigos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, imigrantes nos Estados Unidos na década de 20, que são injustamente acusados de homicídio e condenados a cadeira elétrica. A cena final, com Vanzetti sentado na cadeira elétrica e o guarda que pronuncia a frase "Em nome da lei, eu te declaro morto", é arrepiante! Depois do filme fiquei me perguntando sobre esta questão da pena de morte, que acho um assunto muito delicado, e é exatamente a chave do longa de Montaldo: quem decide quem deve viver ou não? Imagina o guarda que ligava a chave da cadeira elétrica, se fosse eu não conseguiria fazer este serviço, pois por mais que esta seja a lei e que este seja seu trabalho, no fundo, você matou uma pessoa, mesmo não tendo ligação direta com o julgamento que a condenou a morte... O argumento é complexo e longo, mas eu sou completamente contra a pena de morte, não acredito que possamos decidir sobre a vida de outra pessoa, por mais que esta pessoa tenha, por exemplo, matado ou agredido alguém que amamos, pois, deste modo, estaríamos reagindo por pura vingança... O homem tem um ego muito grande para pensar poder decidir sobre a vida dos outros... Tem um caso absurdo rodando na mídia italiana sobre uma moça que está em coma ha mais de 17 anos, e o caso é irreversível, e mesmo assim, seu pai, que luta na justiça a mais de uma década para desligarem os aparelhos que a mantém viva, não obtém sucesso, e o martírio da jovem continua... Claro que neste caso as circunstâncias mudam, mas na minha opinião, acaba tendo os mesmos fundamentos, pois não é que o pai está decidindo sobre a vida da filha que está viva e consciente, mas sim sobre a vida de alguém que não necessita mais dela, pois já está de uma certa maneira morta. Vivemos num mundo em que não possuimos nem mesmo o direito de morrer, e que, pior ainda, se não quisermos morrer, podem decidir que não merecemos mais viver... Das duas uma: ou eu que não entendo direito a ambiguidade desta história ou realmente o mundo tá cada vez mais louco...

1 comentários:

Felipe disse...

O mundo está cada vez mais louco. Na verdade acho que sempre esteve.