sábado, 27 de setembro de 2008

Burn After Reading

Gosto dos irmãos Coen. Não sou fã, mas gosto da maioria dos filmes que fizeram, tirando uma ou outra comédia B. Burn After Reading, filme recém-lançado na última mostra de Veneza, é o melhor trabalho deles na minha opinião. Uma comédia de humor negro inteligentíssima, que retrata com perfeição o bizarro mundo da central de inteligência americana. Engraçado e ao mesmo tempo frio e cruel, o filme dos Coen me surpreendeu do começo ao fim, por apresentar um roteiro bem estruturado e sem lugares comum, totalmente original e bem bolado. E, ao mesmo tempo, firmando uma forte crítica ao absurdo americano, que vai desde a busca pelo corpo perfeito até o consumismo desenfreado e a desorganização dos órgãos de segurança nacional. Devo também fazer uma menção a todos os atores, que estavam simplemente perfeitos em seus papéis. Brad Pitt dá um show como o treinador de uma academia meio panaca, Frances McDormand também está ótima, como sempre. George Clooney tá espetacular fazendo o garanhão que pega todas as mulheres que passam pela frente, e John Malkovich dispensa comentários... Bela evolução dos Coen. Tomara que continuem assim!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Saudade

Saudade, torrente de paixão
Emoção diferente
Que aniquila a vida da gente
Uma dor que eu não sei de onde vem
Deixaste o meu coração vazio
Deixaste a saudade
Ao desprezares aquela amizade
Que nasceu ao chamar-te meu bem
Nas cinzas do meu sonho
Um hino então componho
Sofrendo a desilusão
Que me invade
Canção de amor, saudade

Tava ouvindo esta música na voz de Caetano Veloso e falando com a Marcella, ai me deu vontade de escrever sobre a saudade. Principalmente porque a saudade, palavra que só existe na língua portuguesa, tem que ser explicada sempre que se conhece alguém que não é brasileiro. Italiano não tem saudades, tem nostalgia, o que na cabeça deles, é a mesma coisa. E nós brasileiros, temos que descrever o sentimento para faze-los entender. A saudade não é uma coisa triste, é uma melancolia, porém sem o sentido pesado da palavra. No fundo, é um sentimento doce, e não triste como a nostalgia italiana. Segundo a definição do dicionário, saudade é uma "lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a ve-las ou a possui-las". Não estou muito de acordo com esta definição, ainda acho que a saudade é positiva, mas é interessante a questão do "desejo de tornar a ve-las", acho que, pelo menos nesse caso, esta frase cabe muito bem. Todo mundo tem saudades de algo ou alguém, o que torna este sentimento uma presença constante em nossas vidas, e que pelo menos pra mim, já a torna positiva, pois seria bem pesado passar a vida inteira com um sentimento negativo nas costas... Tenho saudades de um monte de coisas, até atuais, talvez por saber que vão acabar... Tenho saudades do meu cachorro, que me rende a vida mais leve, tenho saudades da árvore de Natal da minha avó, dos lps riscados de óperas italianas do meu nonno, do ano novo em casa na piscina, das inúmeras viagens pela Europa com um livro e o mp3 player, saudades dos grandes amigos de São Paulo e dos ótimos papos que tínhamos, saudades do um set de filmagem e do laboratório fotográfico, saudades de caminhar na praia descalça, de ler Drummond e de ver Casablanca com pipoca achando o máximo porque é um clássico do cinema, saudades de andar de bicicleta por Bellingwolde e passar pelos lindos moinhos na margem do rio, saudades da Ju e do povo de Bologna, saudades de casa, da mamma, da semana em Roma com minha amiga querida, saudades, saudades... Viram como é bom??

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Machan

Nunca vou ao cinema sem saber que filme estou indo assistir. É realmente muito raro eu não saber absolutamente nada sobre um filme e sentar na sala. Domingo fui carregada ao cinema pelo Fe e Max, e, como a companhia era ótima, nem liguei pra que filmes íamos assistir. Só me disseram que era do Sri Lanka. Pensei, como boa pseudo-intelectual ridícula formada em cinema: Hum, pelo menos não é americano... rs. Brincadeira, nada contra o cine americano, muito pelo contrário. Mas achei legal que o filme era do Sri Lanka. No fim das contas, descobri que era de um diretor italiano, Uberto Pasolini (que até agora não sei se tem algo a ver com o Pier Paolo Pasolini, se alguém descobrir, me avise). Enfim, a história é interessantíssima. Basicamente, é passado no Sri Lanka, onde milhares de pessoas tentam arrumar visto para sair do país, já que as condições de vida por lá não são das melhores... Sem dinheiro, sem trabalho no exterior e sem seguro saúde, obviamente o visto é negado para a maioria. Até que alguém descobre uma maneira brilhante de entrar na Alemanha através de uma propaganda de um torneio esportivo que ocorrerá por lá: montar um time de handball!! Só que no Sri Lanka não existe handball, então, além de estudar as regras do jogo, o grupo todo tem que providenciar uniformes e documentos falsificados das autoridades do Sri Lanka para poder levar a farsa adiante... Muito criativo e original, além de muito atual, principalmente na Europa, onde a imigração é um dos principais problemas em pauta.

Teste do Fe

Desde que eu vi o da Ana aqui fiquei a fim de fazer, mas a preguiça falava mais alto. Agora vi meu nome entre as recomendações do Fe, então resolvi tomar vergonha na cara e fazer o tal do teste de responder perguntas com canções do seu artista favorito. Em épocas de comprar ingresso pro show, é até oportuno ;)

BANDA/ARTISTA: MADONNA


1. Você é homem ou mulher? Bad Girl

2. Descreva-se: X-Static Process

3. O que as pessoas acham de você? Angel

4. Como descreveria seu último relacionamento amoroso? The Power of Goodbye

5. Descreva sua atual relação com seu namorado ou pretendente: Who's That Girl

6. Onde queria estar agora? Hollywood

7. O que pensa a respeito do amor? Love Makes the World Go Round

8. Como é sua vida? Easy Ride

9. O que pediria se pudesse ter apenas um desejo? Where's the Party

10. Escreva uma frase sábia: Nobody's Perfect

H20

Insípida, incolor e inodora. Lembro bem destes adjetivos que aprendi no colegial, quando estudávamos as características da água. Ela está presente em tudo, é o solvente universal e sem ela não vivemos, já que o corpo humano tem 70% de água em sua composição. Pois bem, eis que dei pra divagar sobre a água esses dias, pois, desde ontem, ela foi cortada no meu prédio, por inadimplência do síndico que não pagou a conta. Já fui informada que voltará amanhã, mas 2 dias sem água, tomando banho na casa de amigos e sem poder lavar roupa ou louça, tá sendo um verdadeiro inferno. Acho que nunca nos tocamos da real necessidade das coisas até que elas nos faltam. Hoje, depois de escovar o dente com água na garrafa, saí de casa e comecei a reparar como se gasta água a toa, e tentei imaginar a quantidade de água usada por dia no mundo. Se o mundo tem 6 bilhões de habitantes, estes 6 bilhões dão 3 a 4 descargas por dia, tomam banho, cozinham, lavam roupa, a casa, o carro... Imagina a quantidade absurda de água que poderia ser economizada se tomássemos o cuidado de fechar a torneira quando escovamos os dentes ou lavamos a louça, ou quando deixamos o chuveiro ligado um tempão antes de entrar e tomar banho, etc. Não acho que o fim do mundo acontecerá com guerras, invasões alienígenas, bombas ou aquecimento global. O fim do mundo estará realmente próximo quando começar a faltar água. E da maneira que a população cresce e que se desperdiça, não acho que deva acontecer num futuro tão distante assim.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Homenagem a Richard Wright

E mais um se vai... Primeiro o Pink Floyd perdeu Syd Barret em 2006, e ontem, dia 15 de setembro, o fantástico tecladista da banda, Richard Wright, morreu de câncer aos 65 anos. Não sobrou ninguém! O Gilmour, que nem faz parte da formação original, já está em carreira solo faz tempo, e Nick Mason passou somente a produzir. Roger Waters também está em carreira solo, ou seja, acabou de vez o Pink Floyd. Claro que eles não existiam mais desde os anos 80, mas pelo menos estavam vivos, o que sempre gerava uma certa esperança nos fãs que nem eu que sonhavam em ver o Pink Floyd reunido, como aconteceu no Live 8 há alguns anos atrás... Com a morte de Richard Wright, nem mesmo esta esperança existe mais, o mesmo aconteceu quando George Harrison morreu (meu Beatle preferido, diga-se de passagem). Que triste. Com certeza, John Lennon, George Harrison, Richard Wright e tantos outros fantásticos artistas que revolucionaram a história da música estão fazendo uma Great gig in the Sky no momento... Espero que sim.

domingo, 14 de setembro de 2008

Filme Trash

A gente só fala de arte aqui, então resolvi dar vez para os filmes não tão aclamados assim pela crítica...
Todo mundo que estudou cinema esconde sempre os filmes trash que tem na gaveta. Nunca ninguém me disse "adoro ace ventura" ou algo do gênero, geralmente as frases são mais pra "tenho todos os filmes do bergman" e "meu filme preferido é o encouraçado potemkin". Por mais que eu também goste de Bergman e Eisenstein, obviamente não cresci assistindo estes filmes, e muitos blockbusters toscos marcaram a minha vida cinematográfica. Deixando toda a questão técnica e a linguagem poética de lado, revelo meu filme tosco preferido, que assisti um milhão de vezes e se passar na tv paro pra assistir de novo, mesmo na metade: Robin Hood, com Kevin Costner! Era meu desenho preferido da Disney quando eu era pequena e quando foi vivido por um ator real, eu pirei. Assisti várias vezes no cinema (o filme é de 1991, ou seja, eu tinha 10 anos!!!!) e depois em video em casa. E ainda tenho o VHS em casa e não desgravo!
PS. Fe, este post foi na verdade pra você, pois você é o único cineasta que conheço que assiste de tudo, gosta de tudo e ainda tem os dvds do Chaves... rsrsrs

Momento High Fidelity!

Hoje tava conversando com um amigo e começamos a fazer listinha de top 10 de tudo!! Claro que as minhas mudam sempre, mas tem algumas posições que são sagradas e não abro mão! Eis alguns temas que estávamos discutindo e minhas respectivas escolhas:






Top 10 filmes:
1. Amadeus
2. Laranja Mecânica
3. Manhattan
4. Dr. Strangelove
5. Pulp Fiction
6. Requiem para um sonho
7. Stanno tutti Bene
8. Stalker
9. Persona
10. Dogville


Top 10 discos de rock:
1. The Wall (Pink Floyd)
2. Atom Heart Mother (Pink Floyd)
3. Dark side of the Moon (Pink Floyd)
4. Let it Bleed (Stones)
5. Abbey Road (Beatles)
6. Led IV (Led Zeppelin)
7. Who's Next (The Who)
8. Station to Station (David Bowie)
9. Are you Experienced? (Jimi Hendrix)
10. Ok Computer (Radiohead)

Top 10 atores:
1. Jack Lemmon
2. Geoffrey Rush
3. Johnny Depp
4. Edward Norton
5. Marcello Mastroianni
6. Marlon Brando
7. Peter Sellers
8. Ewan McGregor
9. Daniel Day Lewis
10. Sean Penn

Top 10 atrizes:
1. Isabelle Hupert
2. Liv Ullman
3. Meryl Streep
4. Fernanda Montenegro
5. Marília Pera
6. Diane Keaton
7. Kate Winslet
8. Frances McDormand
9. Lauren Bacall
10. Katharine Hepburn

Top 10 diretores:
1. Woody Allen
2. Stanley Kubrick
3. Ingmar Bergman
4. Peter Greenaway
5. Milos Forman
6. Francis Ford Coppola
7. Federico Fellini
8. Lars Von Trier
9. Billy Wilder
10. Alfred Hitchcock

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

X-Files - I don't want to believe...

Eu realmente não quero acreditar que isso é verdade... Saiu o segundo longa da ótima série televisiva X-Files. O primeiro já não era lá essas coisas, mas como eu continuo acreditando, como boa seguidora de Fox Mulder, fui conferir nos cinemas o mais recente longa da ex-dupla de agentes do FBI. Só acredito numa coisa depois de assistir o filme: que Chris Carter deveria ter mudado o nome do filme para X-Files: I don't want to believe... O filme é um thriller B típico dos piores diretores de Hollywood. A pitada de paranormalidade, que antes era o principal argumento da série, passa desapercebida, no que mais parece um simples caso policial de serial killer... Claro, com um toque de fé, básico... Cade os alienígenas?? Os casos sem explicação? Isso tudo sem contar o pseudo casamento dos dois... Chris Carter tem que entender uma coisa: quando se deixa o público na expectativa de um romance entre os dois protagonistas por mais de 9 anos, é porque a coisa não vai vingar, ou melhor, não pode vingar, com risco de perder os fãs mais leais, já que este acontecimento distanciaria por demais o filme da série... Era melhor não ter sido feito.

O cachorro do Mickey Rourke

Na verdade, não tenho muito o que dizer sobre isso. A imagem fala por si só. Sim, o ganhador do leão de ouro de melhor ator no festival de Veneza deste ano, carrega seu cachorro pra cima e pra baixo. No tapete vermelho, na cerimônia de premiação... Saiu no Corriere della Sera de hoje, que o bicho tem sua própria suite no hotel 5 estrelas onde o ator está hospedado em Veneza... Adoro cachorro, mas acho que tudo tem limite. Não é a toa que o star system movimenta tanta grana no cinema, principalmente no americano. Basicamente, um ator além de ganhar milhões, ainda pode fazer tudo aquilo que quiser, tudo, qualquer extravagância, you name it, eles fazem. E o público compra, grita por eles, ficam horas esmagados na multidão embaixo de sol pra ver o panaca passear pelo tapete vermelho com seu cachorrinho de estimação, que, diga-se de passagem, é mais bem tratado do que o público jamais será por seu ídolo. Coisas do showbusiness...

GET STUPID!!!

Não sou fã da Madonna. Sou daquelas que baixaram umas 20 músicas da rainha do pop e fizeram uma compilação, que escuto muito de vez em quando, na maioria das vezes quando estou indo pra balada. Não sei o que veio depois do horrendo Music, mas tudo que ouvi por acaso na rádio ou tv nos últimos tempos me decepcionou. Claro que Madonna nunca foi nota por seus dotes como cantora ou atriz, então, nem vem ao caso discutir sua qualidade musical. Quero mesmo falar da Madonna politizada, aquela que faz campanha pro partido democrata e contra a AIDS na África. Esta Madonna é mais interessante do que aquela que comia menininhos pra impressionar. Pois bem, o tal acontecimento que é um show da Madonna é realmente um evento particular. Ela consegue misturar sexo com política e ainda da conta de agradar ao povo latino com uma parte do show dedicada especialmente a eles. Uma garota (não tão garota assim...) politicamente correta. Só fica um pouco incorreta quando dedica Like a Virgin ao Papa... Mas ela também é filha de Deus, e Madonna sem um pouco de provocação não é Madonna... A parte os maravilhosos efeitos especiais do show e uma montagem de imagens fora de série, a parte realmente interessante ficou por conta da música "Get Stupid", em que ela nem esta presente no palco, é um videoclipe muito bacana com frases tipo "Get Stupid", "Your Choice", "It's time", que ficam pipocando entre imagens chocantes e não chocantes, da realidade mundial. Simplesmente genial. Quem quiser ver o vídeo desta música na apresentação de ontem, aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=NZwTeiC_so0
Ponto pra ela.

sábado, 6 de setembro de 2008

Persépolis - Quadrinhos

Acabei de ler a fantástica história em quadrinhos Persépolis. Já havia visto o filme em abril deste ano, mas acabei lendo de vez o quadrinho somente hoje. Em relação ao filme, obviamente o livro é muito mais completo, detalha a vida de Marjane Satrapi de uma maneira bem mais rica, o que nos permite entender um pouco melhor a questão oriente X ocidente. Eu, por ter nascido numa cultura ocidental e ter tido a oportunidade de ter uma educação rica e ainda de ter estudado no exterior, provo grande resistência em tentar compreender o regime islâmico. Na minha cabeça, não existe um lugar onde não se pode sair na rua sem usar um véu (segundo as islâmicos, os cabelos de uma mulher tem a propriedade de excitá-los, por isso a necessidade de cobrí-los com um véu...), usar maquiagem ou beijar e abraçar uma pessoa do sexo oposto em público. Isso sem contar as outras restrições, que vão desde produtos culturais como música, filmes e livros, até a proibição de bebidas alcoólicas e cigarros. Imagino como deve ter sido difícil para Marjane, que praticamente passou a adolescência na Áustria a pedido dos pais, voltar para seu país e encontrar tudo de pernas pro ar, parentes mortos pelas autoridades islâmicas, etc, sem contar a terrível experiência de viver sempre com medo de que caia uma bomba no quintal de sua casa. Se já nos impressiona vendo um filme ou lendo um livro a respeito, imagina sentir isso na pele. Tive essa sensação ao visitar Auschwitz em janeiro deste ano, em pleno inverno. O dia estava cinza e fazia um frio de 2 graus. Só mesmo estando lá pra entender um pouco do que passou aquela gente. A experiência de se ver a coisa ao vivo é 10 mil vezes pior do que imaginar as piores atrocidades possíveis na nossa cabeça. Só estando lá pra "cair a ficha", só presenciando a coisa de perto conseguimos entender que aquilo tudo realmente aconteceu. E lendo Persépolis, por mais que eu nunca tenha ido ao Irã e minha cultura sobre o islamismo seja bem escarsa, pelo menos pude ter uma vaga noção do que foi ter vivido aquilo. Já que falei também de Auschwitz, deixo a dica de outro quadrinho fantástico, que li exatamente 1 semana antes de visitar o campo de concentração, o que tornou a já horrível experiência, pior ainda, pois relata a história real do pai do autor, Vladek Spiegelman, sobrevivente de Auschwitz. Maus, publicado em 1992, é o único quadrinho a ganhar um prêmio Pulitzer. Recomendadíssimo. Recomendada também a viagem ao campo de concentração polonês, experiência indescritível e, na minha opinião, absolutamente necessária.