terça-feira, 25 de novembro de 2008

Intercâmbio Cultural

Hoje fizemos uma prova de "cultura geral" no centro sperimentale, para, segundo o professor de fotografia, "estar a par do nível de conhecimento dos alunos". Das 45 questões, respondi somente umas 15, e devo ter acertado umas 10... As perguntas eram da maior cretinice possível, nada trivial, e algumas nem mesmo grandes estudiosos saberiam, tipo: quem foi Ibn Battutah ou onde ficam as ilhas Sulu... Ai me pergunto: isso é conhecimento geral? Se eu não conheço um explorador marroquino do século XIV ou não sei que as ilhas Sulu ficam nas Filipinas não posso ser uma grande fotógrafa de cinema?? Até mesmo as perguntas que tinham a ver com cinema não faziam sentido... Quem fotografou gritos e sussuros?? Eu vou lá saber? Filme sueco da década de 70, já é muito saber que foi dirigido pelo Ingmar Bergman, tem que saber também o fotógrafo?? Descobri que era um tal de Sven Nykvist, que até ganhou 2 oscar, mas até ai, o cinema tem mais de 100 anos de história e muitas pessoas já ganharam oscar de melhor fotografia, tenho que saber justo o sueco que não conseguiria escrever o nome nem copiando? Comecei a pensar que talvez, por ser estrangeira e ter estudado cinema no Brasil, as perguntas obviamente fariam mais sentido aos italianos que fizeram o teste comigo do que a mim, mas percebi que quase todos deixaram mais da metade do teste em branco... E o professor se lamentando: que decepção, vocês não sabem nada de cinema nem de geografia... Scusa, uma coisa é saber onde fica o Yemen, que já não e muito simples, outra é saber onde ficam as ilhas Sulu... E tenho certeza que ele não sabe onde fica São Paulo ou deve pensar que a capital do Brasil é Buenos Aires, como muitos já me perguntaram... Detalhe que o Brasil é o quarto maior país do mundo e com certeza bem mais conhecido do que as benditas ilhas Sulu... E esse povo nos avaliam e nos julgam "sem cultura"... Tá tudo errado, ragazzi.

sábado, 22 de novembro de 2008

Digital x Analógico

Ontem visitamos os labóratórios de cinecittà, tanto o laboratório de revelação e cópia quanto o digital. Fiquei impressionadíssima com o que se consegue fazer hoje em dia com o digital, coisas que eu não tinha a menor idéia. Mas, tanto o professor quanto o técnico do laborátorio digital falaram e repetiram: a qualidade que proporciona a película ainda é bem melhor. Eu sempre fui muito tradicionalista, tanto pra fotografia still quanto pra cinema. Porém, devo confessar que me empolguei com a minha nova máquina digital... Por mais que o digital transforme todo o processo artesanal de revelação e copiagem em uma simples sentada na frente do computador, as vantagens deste processo são inquestionáveis. O preço é infinitamente mais vantajoso do que a película, a manipulação de imagens só é possível graças a digitalização, e a rapidez no processo de pós-produção, muito necessária numa indústria como a americana, também deixa a película a ver navios. Isso sem contar os processos de restauração que, além de terem se tornado mais baratos e mais rápidos, tem possibilitado gerar um novo negativo de filmes que antigamente estariam perdidos. Então porque continuamos a investir na película? Assim como tudo que é bom demais, os contras também falam alto. A qualidade da imagem é bem menor do que no suporte analógico, sem contar os problemas de "efeito chapado" da imagem, causado pela falta de sensação de tridimensionalidade, a irrealidade das cores, os problemas de movimentos e baixa latitude (altas e baixas luzes estouradas). Fotograficamente falando, pois é nessa parte que estão todos os problemas do digital, as gamas e diferentes nuances de cores e cinzas (no caso do p/b) e informações nas altas e baixas luzes só são possíveis na película, o que torna o digital um meio econômico e prático, mas muito inferior a mesma. O que não deve ser um obstáculo para utilizar este suporte, pois a arte deve ser feita independentemente do método que se utilize para fazê-la, afinal, é isso o que importa.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sacco e Vanzetti

Hoje assisti a projeção de Sacco e Vanzetti, filme italiano da década de 70, dirigido pelo grande Giuliano Montaldo, professor de direção no centro sperimentale. Já havia visto o filme no ano passado, quando pedi ao Andrea de me atualizar um pouco na história do cinema italiano, e este foi o primeiro filme que ele me recomendou (e eu esperando um Fellini ou Visconti...). Devo confessar que achei bem desinteressante e acabei dormindo no fim... Pois bem, eis que decubro que o filme de hoje era esse, e, mesmo com uma vontade irresistível de escapar e ir tomar um cappuccino no bar, resisti e decidi dar mais uma chance ao filme, principalmente porque depois teria debate com o diretor. Resultado: amei! Achei o tema interessantíssimo e o final, que eu não havia visto da primeira vez, é maravilhoso. A história é real, e conta a saga dos amigos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, imigrantes nos Estados Unidos na década de 20, que são injustamente acusados de homicídio e condenados a cadeira elétrica. A cena final, com Vanzetti sentado na cadeira elétrica e o guarda que pronuncia a frase "Em nome da lei, eu te declaro morto", é arrepiante! Depois do filme fiquei me perguntando sobre esta questão da pena de morte, que acho um assunto muito delicado, e é exatamente a chave do longa de Montaldo: quem decide quem deve viver ou não? Imagina o guarda que ligava a chave da cadeira elétrica, se fosse eu não conseguiria fazer este serviço, pois por mais que esta seja a lei e que este seja seu trabalho, no fundo, você matou uma pessoa, mesmo não tendo ligação direta com o julgamento que a condenou a morte... O argumento é complexo e longo, mas eu sou completamente contra a pena de morte, não acredito que possamos decidir sobre a vida de outra pessoa, por mais que esta pessoa tenha, por exemplo, matado ou agredido alguém que amamos, pois, deste modo, estaríamos reagindo por pura vingança... O homem tem um ego muito grande para pensar poder decidir sobre a vida dos outros... Tem um caso absurdo rodando na mídia italiana sobre uma moça que está em coma ha mais de 17 anos, e o caso é irreversível, e mesmo assim, seu pai, que luta na justiça a mais de uma década para desligarem os aparelhos que a mantém viva, não obtém sucesso, e o martírio da jovem continua... Claro que neste caso as circunstâncias mudam, mas na minha opinião, acaba tendo os mesmos fundamentos, pois não é que o pai está decidindo sobre a vida da filha que está viva e consciente, mas sim sobre a vida de alguém que não necessita mais dela, pois já está de uma certa maneira morta. Vivemos num mundo em que não possuimos nem mesmo o direito de morrer, e que, pior ainda, se não quisermos morrer, podem decidir que não merecemos mais viver... Das duas uma: ou eu que não entendo direito a ambiguidade desta história ou realmente o mundo tá cada vez mais louco...

domingo, 16 de novembro de 2008

Quantum of Solace

Eu vou sempre assistir aos filmes da série 007 no cinema, mesmo os últimos com o Pierce Brosnan, que eram bem ruins, vi na telona e depois no dvd... É o típico filme de entretenimento, que os americanos fazem como ninguém, e também o típico filme que se deve assistir no cinema, pois, em casa, obviamente, perde o encanto. Tiros mil, muuuuita ação, e olha que eu gostei até do Daniel Craig no papel de James Bond, coisa que não tinha me convencido muito em Cassino Royale. Ainda acho ele um pouco inexpressivo, mas deu um bom upgrade em relação ao último filme. As Bond Girls deixam um pouco a desejar, mas o filme tem ótimas participações da eterna M, Judi Dench, e Giancarlo Giannini, que infelizmente não volta mais a série depois deste filme... Fotografia muito bonita e precisa, trilha sonora também muito boa, com ênfase para a música de abertura do filme, de Jack White, enfim, um filme que acerta em cheio o seu objetivo: divertir. E divertir com muita qualidade cinematográfica, mérito do diretor Marc Forster, que tem no curriculum os ótimos filmes Finding Neverland, Kite Runner, Stranger than Fiction e Monster's Ball. Decididamente para se ver no cinema com bastante pipoca...

Changeling

Fui meio com o pé atrás assistir ao novo filme de Clint Eastwood. Não que eu não goste dele como ator ou diretor, muito pelo contrário, porém não curto muito os temas melodramáticos que ele sempre escolhe tratar, e, quando li a sinopse deste filme, fiquei pensando se queria mesmo ve-lo. O tédio de sábado a tarde imperou e resolvi me enfiar no cinema com um balde de pipocas... Não que este seja o filme certo para se comer pipoca... O tema realmente é bem pesado, conta a história de uma mãe que volta pra casa depois do trabalho e não encontra mais seu filho de 9 anos. Não vou dizer mais nada pra não estragar, só digo que gostei muitíssimo do filme e principalmente da interpretação de Angelina Jolie, e olha que ela nunca me empolgou muito como atriz... John Malkovich está ótimo como sempre no papel de um reverendo que encabeça a luta contra a polícia de Los Angeles. Só não curti muito a trilha sonora meio chocha, e a fotografia é bem estranha também, com as altas luzes sempre estouradas nos rostos dos atores sem motivo aparente. Porém, em outros momentos é muito bonita. O poster do filme, que publico neste post, é horroroso, poderiam ter ficado uma meia horinha a mais no photoshop e feito algo mais interessante...